Spawn n° 10 (Importado)

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Spawn n° 10 (Importado)

No catálogo desde: 03/02/2020

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Disponibilidade: Fora de estoque

R$99,90

Descrição Rápida

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Detalhes

No início dos anos 90, o desenhista e roteirista Todd McFarlane (que já havia trabalhado com ícones como Batman, Hulk e Homem-Aranha) criou seu próprio personagem, Spawn. Um super-herói diferente, Spawn era um agente do governo, Al Simmons, que morre em ação. Pelo amor à esposa, faz um pacto com um demônio e volta com um uniforme e capa dotado de poderes. Spawn fez um enorme sucessso e garantiu ao seu criador uma notoriedade sem precedentes, já que gerou dezenas de produtos, desde animações, filme e (principalmente) brinquedos.

 

Ao criar seu herói, McFarlane fundou a Image Comics, juntamente com outros roteiristas como Jim Lee, Rob Liefield e outros. A proposta era inovadora, pois garantia aos criadores total controle sobre os personagens de sua autoria. Até então, a regra era que os personagens pertenceriam às suas editoras, como as gigantes Marvel e DC.

 

Em 1993, McFarlane resolveu criar um arco de quatro histórias (que ocupariam as edições 8 a 11) roteirizadas por feras como Frank Miller, Neil Gaiman Alan Moore e Dave Sim. Mas quem acompanhou as edições no Brasil notou algo estranho: no final da edição 9 Spawn é "desintegrado" e na edição 10 ele reaparece normalmente, com algumas referências à sua trajetória até voltar à Terra. A explicação é a edição número 10 americana não foi traduzida e publicada no Brasil, sendo que a edição 10 brasileira corresponde ao número 11 americano! O que aconteceu?

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O número 10, roteirizado por Dave Sim (criador do porco Cerebus), critica o sistema até então empregado, com várias referências à industria de quadrinhos (com pessoas presas e encapuzadas, supostamente os criadores que não teriam direitos sobre seus personagens, e a antológica passagem de Spawn por uma prisão, onde vemos várias "mãos" de personagens conhecidos). Problemas com direitos autorais fizeram com que Dave Sim proibisse a publicação da história em países de lingua não inglesa. Assim, essa edição, um dos pontos altos das HQs dos anos 90, permaneceu inédita em alguns países do mundo, inclusive o Brasil. Por isso é extremamente rara, um autêntico item de colecionador.

Mas, do que realmente se tratava a história?

 

Seu autor foi o mesmo homem que, em 1977, começou a mostrar ao mundo que era possível construir na América do Norte um personagem de grande popularidade com independência em relação à grande indústria. Seu nome é Dave Sim, criador do brilhante épico gráfico chamadoCerebus.

 

A história deste simpático porco-da-terra é assunto para um futuro review, mas, por ora, basta saber que é o próprio personagem que conduzirá Spawn pela sétima esfera dos infernos. Não por acaso, chamada de Erebus (nome do deus grego das trevas que habitava o mundo inferior).

 

Ao ultrapassar a porta da esfera, ele se defronta com inúmeros homens, amarrados, encapuzados e indefesos, e com um número ainda maior de seres superpoderosos, aprisionados numa cela impenetrável. Nem os poderes do Spawn são suficientes para livrá-los de lá. Nem mesmo todos os dons deles, cedidos ao Soldado do Inferno, podem sequer arranhar a grade.

 

E o demônio local, uma versão feminina do Violador trajando um vestido feito de bilhões de dólares, se regozija com o fracasso de Spawn. É quando aparece o sábio Cerebus, fumando seu cigarrinho e dizendo, pragmático, que não adiantava nada. E revelando ao leitor, se é que este ainda não tinha percebido o óbvio, que aquela esfera representava o mercado norte-americano de quadrinhos, pela ótica das grandes editoras.

 

É neste momento que a história perde a cor e Spawn se vê no universo de Cerebus, como convidado a conhecê-lo, sendo apresentado a um modo diferente de encarar as coisas, as possibilidades que, de outro modo, estariam fechadas a ele.

 

Do mesmo modo, o porco-da-terra retorna com o herói para o universo de Spawn (numa raríssima chance de se ver Cerebus colorido, como ele mesmo estranha na capa da edição), convidando-o, bem como ao leitor, a compreender a sua importância neste novo universo e a aceitar quem ele é, a nunca se vender ou corromper.

 

Em seguida, Cerebus se vai, como todo bom convidado que sabe que já deu a hora de ir embora.

 

Um dos grandes momentos dos quadrinhos da década de 1990, esta história é reveladora de ideais nos quais Sim ainda crê. Nos quais, ele achava, os autores da Image (e em particular McFarlane) também acreditavam.

 

O tempo, no entanto, foi minando a imagem do “pai” de Spawn. Em particular, os episódios de direitos autorais envolvendo os personagens criados para o universo de seu personagem por Neil Gaiman (como Ângela, por exemplo), que culminaram na imensa guerra pelos direitos de publicação de Miracleman (herói que está ausente do mercado desde a falência da Eclipse Comics).

 

O desgosto de Sim é grande, sendo quase certo, por conta disso, que esta história nunca seja mesmo republicada.

 

Vale destacar que Sim, quando escreveu esta aventura cheia de ironia e sagacidade, estava alcançando o clímax de sua produção com Cerebus. Um ano e meio depois da publicação deSpawn # 10, ele fez aquela que é considerada a mais controversa edição do personagem, que resultou em reviravoltas pessoais, profissionais e legais para o presidente da Aardvark-Vanaheim.

 

Contudo, Sim sempre continuou a ser respeitado como um dos maiores criadores de quadrinhos contemporâneos.

 

Spawn # 10, enfim, é uma edição sobre valores, ética, ideais e, após 12 anos, sobre como o tempo pode não mudar, mas revelar quem é quem, não só nos quadrinhos, mas na vida. Se você nunca leu, deveria.

 

 


 
 

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Código Identificador (SKU) 951258763148621
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